Mercado do Bolhão reabre e trouxe

O Mercado do Bolhão reabriu ao público e com ele voltaram os aromas e os cheiros, as bancas de fruta, legumes e flores tão característicos, mas também

Notícias Mercado do Bolhão reabre e trouxe produtos frescos à Baixa do Porto
16 SET 2022 Voltar
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O Mercado do Bolhão reabriu ao público e com ele voltaram os aromas e os cheiros, as bancas de fruta, legumes e flores tão característicos, mas também regressou a alegria e boa disposição das suas vendedeiras.

Quatro anos depois o renovado mercado “está como antigamente”, “está muito bom” e “muito bonito”, são as expressões partilhadas por quem na quinta-feira, 15 de setembro, a partir das oito da manhã, quis marcar presença na reabertura oficial deste espaço localizado na Baixa do Porto.

Assim, não ficaram defraudadas as expectativas tanto de visitantes, como dos comerciantes, em relação ao restaurado Bolhão e ao regresso do mercado de antigamente. Um misto de alegria, a emoção e a expectativa de que os clientes e os visitantes regressem em força e façam compras, é comum à maioria dos comerciantes que vão respondendo às perguntas dos muitos jornalistas e convidados, mas sem perder de vista um ou outro “freguês” que afinal veio fazer as suas compras.

“Agora é preciso que venham os fregueses”, diz Teresa, das Flores da Teresa, uma das 79 bancas (e lojas) abertas e que ocupam o piso térreo, piso 1, e constituem a parte mais nobre do mercado do Bolhão.

“Estamos a começar e a fazer o melhor que podemos, mas a expectativa é boa”, acrescenta a dona da banca da Tradição, Produtos a Granel.

Também para o dono da Teresa das Azeitonas – Marcos Ferreira, a expectativa é grande. “Está muito bonito. Somos a quinta geração a trabalhar no mercado, por isso acreditamos que vai correr bem”.

“Ainda estamos a organizar o espaço, ver como fica melhor para os clientes, mas está funcional”, refere a responsável de um dos espaços onde se pode encontrar todo o tipo de conservas e enlatados.

Aliás, a diversidade de produtos presentes é uma das novidades deste mercado, regressando, assim, ao que foi antigamente. O cliente pode comprar carne, peixe, café, chá, vinhos, pão e pastelaria, bombons, tomar café ou fazer um lanche, ou numa versão mais completa, comer um crepe.

Sobre o valor das rendas praticadas, a opinião é que “são equilibradas”. Isto porque a Câmara Municipal do Porto – entidade responsável pela obra de reabilitação do mercado – mantém os valores anteriores e semelhantes aos que foram praticados aos comerciantes instalados no Mercado Temporário do Bolhão, que funcionou no centro comercial La Vie, a poucos metros.

A profunda obra de reabilitação, a cargo do arquiteto Nuno Valentim, manteve o Bolhão como um mercado de frescos, mas com valências modernas. E esse facto é inegável.

 

Rui Moreira desafia portuenses

A reabertura do Mercado do Bolhão foi assinalada às 8 horas em ponto, pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, com o toque do sino. Uma vasta comitiva de convidados acompanhou o presidente, onde também foi visível um reforço de segurança privada, no interior, e de polícia municipal no exterior do espaço.

Aliás, o sino foi um elemento preservado no processo de reabilitação, que mantém viva a tradição de avisar, diariamente, o início da atividade do mercado e está localizado na entrada da Rua de Fernandes Tomás.

Enquanto passeava pelo mercado e ia falando com os comerciantes, – numa demorada visita de quase duas horas – Rui Moreira não escondia a “emoção de devolver à cidade um dos seus ícones.”

E desafiou os portuenses a fazerem compras no novo Bolhão. Deixo um “desafio”: “Venham fazer compras”.

De referir, contudo, a abertura a meio gás do Mercado do Bolhão. Isto porque os 10 restaurantes, que já estão atribuídos e que estão instalados no segundo piso, vão “abrir progressivamente, aquando da conclusão das obras do seu interior”, informa o comunicado da autarquia.

Bem como as 38 lojas exteriores, cuja esmagadora maioria continua a aguardar o licenciamento ou se encontra em obras.

Nos próximos meses a autarquia vai lançar novos concursos para a ocupação de seis lojas e nove bancas que ainda não estão ocupadas.

 

Investimento de 50 milhões de euros

De referir que as vicissitudes ligadas com a construção do túnel para cargas e descargas e a criação da cave logística acabaram por fazer disparar o investimento total, para os 50 milhões de euros.

Assim, para além dos 26 milhões de euros da empreitada de restauro e modernização do mercado – mais 15% do que o valor que foi adjudicada ao agrupamento Alberto Couto Alves S.A e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos S.A – foi investido o dobro, nomeadamente em outras obras necessárias ao funcionamento deste emblemático espaço comercial da cidade.

A obra de restauro do mercado do Bolhão, que permitiu a modernização de um edifício icónico para a cidade – cujo revestimento exterior voltou à cor original do projeto de 1914 – permitiu dotar o equipamento de todas características, em termos logísticos, de acessos e ambientais, que cumprem as exigências de qualidade exigidas atualmente.

Dotar o mercado de melhores acessos e novas aberturas ao exterior foram objetivos que estiveram também presentes na modernização do espaço.

Nuno Valentim, em declarações recentes, destacou as novas condições deste espaço que vão desde a criação das três praças de acolhimento dos visitantes – com destaque para a praça criada na entrada principal da Rua Formosa -, e para os 12 elevadores que vão permitir a acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida. Mas também uma nova passagem intermédia, que atravessa e liga as ruas Alexandre Braga e Sá da Bandeira, bem como o acesso direto ao mercado a partir da estação do Metro do Bolhão e das ligações por túnel (do metro) com as ruas laterais e com o parque de estacionamento do shopping La Vie.

Destaque, também, para a cave logística de cargas e descargas, mas que permite o armazenamento de produtos, com uma oferta de câmaras frigoríficas, com máquinas de gelo, que podem ser adquiridas pelos comerciantes. Bem como a questão da gestão de resíduos, existindo agora uma série de novas condições que não existiam anteriormente.

 

(Fonte Magazine Imobiliário, tratado por ASMIP)

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